domingo, 26 de novembro de 2017

Almada homenageia o Cante





Almada homenageia o Cante no âmbito do 3º Aniversário do Cante Património Imaterial da Humanidade nos dias 2 e 3 de Dezembro de 2017.
Fui convidado a participar juntamente com a pintora Guika Rodrigues.
Um especial agradecimento ao mentor desta iniciativa Eduardo Raposo pela oportunidade de participar com a minha pintura neste importante acontecimento.
Aqui fica um pequeno texto que escrevi para contextualizar a nossa intervenção:


Do Alentejo


Dois pintores que nasceram no Alentejo. Guika Rodrigues em Mértola, Manuel Casa Branca em Montemor-o-Novo. Ambos trazem para a sua pintura essa matriz umbilical, mas percorreram caminhos diferentes. Guika procura, nos elementos telúricos da paisagem, estruturas e detalhes que amplia macroscopicamente propondo composições abstractas e expressivas, na linha e na cor. Manuel preocupa-se com a paisagem e encontra no património eco histórico do Montado os elementos para a sua pintura. 

sábado, 2 de setembro de 2017

Bienal de Coruche - Projecto para parede de 30 metros

O Montado Re-montado

O muro, no mundo urbano, bem como a vedação, no mundo rural, condicionam o percurso ao delimitarem espaços e territórios.
Na paisagem, cada vez mais, a vedação de trama apertada está a impedir a passagem da fauna autóctone sendo um verdadeiro atentado ecológico, a juntar a outros mais.
Quando deambulo pelo Montado, sem constrangimentos de barreiras, posso fazer percursos orgânicos, deambular por entre as árvores que me contam histórias através dos seus troncos retorcidos. Sou participante e pertença dessas histórias.
Pelo contrário, no Montado confinado à estrada assisto ao que se passa “do outro lado”, como se de um palco se tratasse. Com as vedações limito-me a um percurso ortogonal que evoca uma organização invasiva urbana. Sou simples espectador, separado à força da narrativa.
Para este projecto escolhi desenhos do diário gráfico/caderno de campo e outros elementos gráficos, nomeadamente signos elaborados a partir de troncos de sobreiros e azinheiras e com os quais criei um alfabeto e o um conjunto de ideogramas, estes últimos obtidos com a técnica da caligrafia chinesa que aprendi há alguns anos.
Com recurso à tecnologia digital, tive como objectivo ampliar estes desenhos íntimos e misturá-los com linhas e planos de cor quadrangulares e rectangulares. Obtenho assim um conjunto de novas composições que reorganizam o desenho orgânico (árvores e megálitos) contaminado por estes elementos ortogonais (linhas e planos).
Estas montagens simples serão, ainda e sempre, uma evocação do Montado: um Re-montado.
Manuel Casa Branca





4 dos 12 painéis impressos em vinil 60 cm x 100 cm

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Vénus | Venus


Quercus suber; 2H; 50; Monges
100 x 160 cm
Óleo sobre tela - Oil on Canvas


No  Verão de 2012 encontrei, na Herdade dos Monges (Vale de Mós), um sobreiro que se revelou ser uma Vénus, de Botticelli, de Ingres, de Chassériau, de Duval, de Bouguereau, entre outros.
Escolhi a zona mediana do quadro para desenhar o torso. Uma estrutura compositiva comum a todos os trabalhos destes nomes que citei.
A luz forte de Vénus, em contraste com os tons mais escuros da mancha de paisagem, é uma referência da maneira Veneziana de Chassériau resolver a carnação.
Depois vem o gesto geminado na espátula e no pincel.


In summer of 2012  I found in Estate of Monks|Monges (Vale de Mos), a cork oak which proved to be a Venus by Botticelli, Ingres, Chassériau, Duval, Bouguereau, among others.
I chose the middle zone of the frame to draw the torso. A compositional structure common to all works of these names I have mentioned.
The strong light from Venus in contrast to the darker shades of stain landscape, is a reference to the way Venetian Chassériau resolve the Incarnation.
 Then comes the gesture twinned in the spatula and brush.




terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Small formats | Pequenos formatos


Quercus suber; 3H; 26; Hospitais
30 x 40 cm | 11.81'' x 15.75''
Oil on canvas | Óleo s. tela



Olea europaea; 3H; 1; Barrocal
30 x 40 cm | 11.81'' x 15.75''
Oil on canvas | Óleo s. tela

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Pintura de Emanuel Almeida

O pintor Emanuel Almeida, meu colega da FBAUL, vai realizar uma exposição individual no centro de documentação do edifício central do Município de Lisboa de 14 a 27 de Fevereiro, e estas são 9 das 11 obras que vão estar expostas.


 Segue o texto que escrevi para o seu catálogo:

Lisboa, a ode Atlântica
E eu era parte de toda a gente que partia.
A minha alma era parte do lenço com que aquela rapariga acenava
Da janela afastando-se de comboio...”
Nas palavras que dão início à segunda ode de Álvaro de Campos, escutamos os sons e os gestos de quem se afasta em viagem. De quem fica e vê partir. Lisboa tem esse encanto para Emanuel Almeida, dali parte e para ali regressa. Assim o fez Fernando Pessoa, assim o fez Luís Vaz de Camões.
Pintar Lisboa tem para este pintor o fascínio do gesto e do movimento que se cristalizam na sempre luz única das ruas, dos elétricos. No seu gesto rápido Emanuel prepara a sua viagem pessoal. Tem o tempo todo para o fugaz flagrante de um momento. É o cheiro da cidade condensado num gesto, numa pincelada. 
No alto do seu trono criativo, o Pintor, o Poeta, o Escritor desce a vertigem da história que quer pintar, declamar, narrar. A narrativa da pintura de Emanuel Almeida transforma a cidade num momento vertiginoso e paradoxalmente calmo, como um refúgio. O azul e o amarelo ocre complementam-se em gestos gráficos e expressivos, mas também em planos de conteúdo pictórico dinâmico. Como reverberações de luz exaladas da parede, do chão, do estridente amarelo do elétrico. Eça de Queiroz chamava-lhe o “Americano” que Carlos da Maia e o Ega tentavam apanhar no final da narrativa d’ “Os Maias”.
Depois da Luz atlântica com que nos brindou em 2013, Emanuel Almeida oferece-nos agora a sua ode.
Manuel Casa Branca